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A real situação do tratamento de esgotos no município de São Paulo

Os artigos publicados com assinatura, não traduzem necessariamente a opinião do Instituto de Engenharia. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Por José Eduardo Cavalcanti

Publicado em 6 de março de 2017

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No dia 19 de fevereiro, o Fantástico da TV Globo apresentou uma matéria intitulada “OS MELHORES E PIORES MUNICÍPIOS EM SANEAMENTO BÁSICO”. No tocante a tratamento de esgotos, com base nas informações do Instituto Trata Brasil, a reportagem informou que na cidade de São Paulo cerca de 5.5 milhões de pessoas. (46% da população do município estimada em 12 040 000 habitantes) não contam com tratamento de esgotos. Esta informação foi contestada pela Sabesp na mesma reportagem que alegou que o número dos não-servidos seria bem menor, cerca de 3 milhões de pessoas. 

Com base em critérios semelhantes aos utilizados pelo Trata Brasil que adota em seus cálculos os dados do SNIS- Serviço Nacional de Informações sobre Saneamento,o qual processa dados informados pelas próprias concessionárias de saneamento,constata-sequecom uma população de 11 000 000 de habitantes e um per capita de 220 litros por habitante, já descontadas as perdas físicas de 30.7%, a vazão de água tratada consumida pela população paulistana seria de 2 420 000 m3/dia ou 28 m3/s. Considerando-se que 80% deste volume se transformam em esgotos a vazão de esgotos seria de 1 936 000 m3/dia ou 22.4 m3/s. 

Por outro lado, a vazão de esgotos efetivamente tratados em 2015 nas ETEs Barueri, Novo Mundo e São Miguel, segundo o Portal da Sabesp, foi de 11.2 m3/s (média de 2015). (Isto, na melhor das hipóteses, pois a ETE Barueri trata também esgotos de outros municípios do seu entorno).Com base nestes dados, somente 50% da população do município teriam seus esgotos tratados. 

Todavia, o índice que relaciona o suprimento de água com esgoto tratado não é dos melhores para uma avaliação desta natureza, pois a água oriunda de poços artesianos e freáticos utilizada em larga escala em toda a RMSP e no município não é computadanestes cálculos e consequentemente também o esgoto decorrente. 

Um índice mais adequado seria considerar a carga orgânica afluente às estas ETES. Neste sentido, levando-se em conta que a DBO media que assoma às ETEs da RMSP é de 320 mg/L (dados medidos) a carga orgânica média seria de 309 660 Kg DBO/dia (11.2 m3/s multiplicado por 320 mg/l) . 

Para um per capita médio de 54 g DBO/dia a população equivalente atendida seria por este critério de 5 734 000 habitantes ou o equivalente a 52%. 

Deve-se salientar, contudo, que parte desta população equivalente engloba também outros municípios do entorno da ETE Barueri (como já mencionado), bem comoà contribuição industrial e outros ENDs, cujo montante precisaria ser mensurado. Assim sendo, a população de humanos não atendida com tratamento de esgotos na cidade seria na realidade até maior que a estimativa do Trata Brasil (5.5 milhões) e bem maior do que a apregoada pela Sabesp (3

 

José Eduardo Cavalcanti

Engenheiro Químico, associado ao Instituto de Engenharia Outros artigos de José Eduardo Cavalcanti



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